Manoel de Oliveira

A filmografia de um cineasta livre

Entre Douro, Faina Fluvial (1931) e Chafariz das Virtudes (2014), a primeira e a última curta-metragem da obra de Manoel de Oliveira, atravessam-se mais de oito décadas e dezenas de filmes. Este é um olhar sobre a filmografia do mais incontornável dos cineastas portugueses.

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DOURO, FAINA FLUVIAL

1931

Argumento, planificação e produção Manoel de Oliveira. Fotografia António Mendes. Música (versão sonora) Luís de Freitas Branco. Duração 21 mn (35 mm; p&b). Antestreia Lisboa, Salão Central, 21 Set 1931 (versão muda). Estreia Lisboa, Tivoli, 8 Ago 1934 (versão sonora). Manoel de Oliveira editou, em 1995, uma nova versão com música de Emmanuel Nunes (Litanie du Feu et de la Mer), estreada na Cinemateca a 18 Jun 1996.

Primeira obra do realizador, rodada entre 1929-31. Documenta um dia de trabalho nas margens portuenses do Douro. Assumindo claramente a influência de Berlim, Sinfonia de uma Capital (1927), do alemão Walter Ruttmann, Manoel de Oliveira diz que o seu filme é a concretização das teorias da montagem que faziam escola nessa época.

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ANIKI-BOBÓ

1942

Argumento, planificação e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original Meninos Milionários, de João Rodrigues de Freitas. Fotografia António Mendes. Música Jaime Silva (Filho). Produção António Lopes Ribeiro e Manoel de Oliveira. Duração 82 mn (35 mm; p&b). Estreia Lisboa, Eden, 18 Dez 1942. Com Nascimento Fernandes (lojista), Fernanda Matos (Teresinha), Horácio Silva (Carlitos), António Santos (Eduardinho), António Morais Soares (Pistarim), Manuel de Sousa (Filósofo), António Pereira (Batatinhas).

O dia-a-dia das crianças entre as suas casas, a escola e as ruelas das margens ribeirinhas do Douro, no Porto e em Gaia. Eduardinho é o mais destemido e o líder, Carlinhos é louro e sensível; ambos disputam Teresinha, a única menina do grupo. Aniki-Bobó é uma lenga-lenga que as crianças recitam nos seus jogos de grupo.

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O Pintor e a Cidade

1956

Fotografia, planificação e produção Manoel de Oliveira. Música Padre Luís Rodrigues. Som Alfredo Pimentel e Joaquim Amaral. Duração 28 mn (35 mm; cor). Antestreia Lisboa, São Luiz, Alvalade, 26 Nov 1956. Com António Cruz.

Regresso às ruas do Porto e às margens do Douro, num trabalho de experimentação da cor, acompanhado pelo mais importante pintor da cidade. Manoel de Oliveira realizou-o depois de ter frequentado um curso na Agfa, na Alemanha. Foi o primeiro filme a cores em Portugal, Prémio SNI da fotografia.

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O ACTO DA PRIMAVERA

1963

Argumento, planificação, fotografia, som, montagem e produção Manoel de Oliveira. Obra original Auto da Paixão, de Francisco Vaz de Guimarães. Colaboração especial José Régio e José Carvalhais (consultores), António Reis (assistente) e Paulo Rocha (selecção de Actualidades). Duração 91 mn (35 mm; cor). Antestreia Paris, 10 Abr 1963. Estreia Lisboa, Império, 2 Out 1963. Com Nicolau Nunes da Silva (Cristo), Ermelinda Pires (Nossa Senhora), Maria Madalena (Madalena), Amélia Chaves (Verónica), Francisco Luís (Pilatos), Renato Palhares (Caifás), Germano Carneiro (Judas), Justiniano Alves (Herodes), João Miranda (S. Pedro), João Luís (S. João), Manuel Criado (Diabo), Domingos Carneiro (assistente de som) e povo da Curalha.

Registo encenado duma representação popular do Auto da Paixão numa aldeia de Chaves, segundo um texto quinhentista. Manoel de Oliveira quis mostrar que se estava a representar um acontecimento passado há dois mil anos, escrito no século XVI e representado no século XX.

Fotografia: Filmagens de O Acto da Primavera (Colecção Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema)

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A CAÇA

1963

Argumento, planificação, diálogos, fotografia, som e montagem Manoel de Oliveira. Colaboração Especial Paulo Rocha. Música Joly Braga Santos. Som Fernando Jorge, Manuel Fortes. Produção Tobis Portuguesa. Duração 21 mn (35 mm; cor). Antestreia: Lisboa, São Luiz, 20 Jan 1964 Estreia Lisboa, Império, 23 Set 1970. Com António Rodrigues Sousa (José), João Rocha Almeida (Roberto), Albino Freitas (Sapateiro), Manuel de Sá (Maneta).

Curta-metragem rodada na ria de Aveiro, logo a seguir a O Acto da Primavera, aproveitando parte do financiamento e da equipa deste. Dois rapazes passeiam nos pântanos da ria, até que um deles é engolido por areias movediças. O cinema de Manoel de Oliveira entra num universo fantástico, buñuelano. A censura obrigou à alteração do final, por o considerar demasiado pessimista. Em 1988, o realizador remontou o filme e repôs a sua versão original.

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O PASSADO E O PRESENTE

1971

Adaptação, planificação e montagem Manoel de Oliveira. Obra original O Passado e o Presente, de Vicente Sanches. Fotografia: Acácio de Almeida. Música Felix Mendelssohn. Produção Manoel de Oliveira e Centro Português de Cinema. Duração 115 mn (35 mm; cor). Antestreia Lisboa, Gulbenkian, 25 Fev 1972. Com Maria de Saisset (Vanda), Manuela de Freitas (Noémia), Bárbara Vieira (Angélica), Alberto Inácio (Ricardo/Daniel), Pedro Pinheiro (Firmino), António Machado (Maurício), Duarte de Almeida (Honório), José Martinho (Fernando).

Adaptação de uma peça sobre a incomunicabilidade no seio da alta burguesia. A acção decorre num solar de Portalegre: Vanda é uma mulher jovem que despreza os maridos enquanto eles estão vivos e os venera depois de mortos. É um texto teatral de humor negro e diálogos finos, de uma inquietante ambiguidade, que poderá suscitar perplexidade e hesitação, já que não é possível entender se o autor quer divertir-se, se brinca, ou se fala seriamente (Manoel de Oliveira).

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BENILDE OU A VIRGEM-MÃE

1975

Adaptação, planificação, montagem Manoel de Oliveira. Obra Original Benilde ou a Virgem-Mãe, de José Régio. Fotografia Elso Roque. Música João Pães. Som Valentim de Carvalho. Produção Tobis Portuguesa e Centro Português de Cinema. Duração 106 mnn (35 mm; cor). Estreia Lisboa, Apolo 70, 21 Nov 1975. Com Maria Amélia Mata (Benilde), Jorge Rolla (Eduardo), Varela Silva (Melo Cantos), Glória de Matos (Etelvina), Maria Barroso (Genoveva), Augusto Figueiredo (Padre Cristóvão), Jacinto Ramos (Doutor Fabrício).

Anos 30, num solar isolado no Alentejo: a jovem filha do proprietário está grávida, mas jura não ter tido contacto com nenhum homem, e atribui o seu estado a uma intervenção sobrenatural. O caso insólito de Benilde mexe com um núcleo familiar, que é uma instituição. Recordo que um professor de província, numa interpretação muito realista e limitada aos aspectos concretos, me disse que tudo na peça resultava de uma educação antiquada, austera e rigorosa (Manoel de Oliveira).

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AMOR DE PERDIÇÃO

1978

Adaptação e planificação Manoel de Oliveira. Obra original Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. Fotografia Manuel Costa e Silva. Som Carlos Alberto Lopes e João Diogo. Voz off Manoel de Oliveira (Memórias do Cárcere). Música João Paes e Haendel. Montagem Solveig Nordlund. Produção Instituto Português de Cinema, Centro Português de Cinema, RTP, Cinequipa e Tobis Portuguesa. Duração 252 mn (16 mm; cor e p&b). Antestreia Paris, 1 Mai 1979. Antestreia portuguesa Festival da Figueira da Foz, Set 1979. Estreia Lisboa, Quarteto, 24 Nov 1979. Uma versão televisiva em seis episódios, a preto e branco, foi estreada na RTP, a 12 Nov 1978). Com António Sequeira Lopes (Simão Botelho), Cristina Hauser (Teresa de Albuquerque), Elsa Wallenkamp (Mariana), António J. Costa (João da Cruz), Henrique Viana (Tadeu de Albuquerque), Maria Dulce (Rita Caldeira), Ruy Furtado (Domingos Botelho), Ricardo Pais (Baltasar Coutinho), Maria Barroso (abadessa de Monchique), Adelaide João (madre prioresa), Duarte de Almeida (comandante do navio).

Adaptação fiel do texto do mais famoso romance de Camilo. O amor impossível de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque por causa de rivalidades familiares, cruzado com uma devoção resignada de Mariana pelo primeiro. Uma história passada no século XIX inspirada em personagens reais, da família do próprio Camilo, que viria a estar aprisionado na Cadeia da Relação, no Porto, a mesma por onde antes passara o seu tio Simão.

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FRANCISCA

1981

Adaptação e planificação Manoel de Oliveira. Obra Original Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Elso Roque. Música João Pães. Montagem Monique Rutler. Produção V.O. Filmes. Duração 166 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, Mai 1981. Antestreia portuguesa Festival de Cinema da Figueira da Foz, Set 1981. Estreia 3 Dez 1981. Com Teresa Meneses (Francisca/Fanny Owen), Diogo Dória (José Augusto), Mário Barroso (Camilo Castelo Branco), Rui Mendes (Manuel Negrão), Paulo Rocha (médico), Sílvia Rato (Maria Owen), Glória de Matos (Rita Owen), António Caldeira Pires (José de Melo), Alexandre Brandão de Melo (Raimundo), Lia Gama (Josefa)...

Continuação do universo camiliano, novamente a partir de personagens reais, por interposto texto de Agustina (que inicialmente escreveu Fanny Owen para um projecto de Alberto Seixas Santos). Francisca/Fanny é uma jovem disputada pelos amigos e rivais Camilo Castelo Branco e José Augusto, casando com este, numa relação que nunca chega a ser consumada. Queria mostrar a beleza de uma mulher sacrificada e humilhada (Manoel de Oliveira).

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Nice... À Propos de Jean Vigo

1983

Fotografia Jacques Bouquin. Som Jean-Paul Mugel. Montagem Jeanine Verneau e Françoise Besnier. Produção Institut National de l'Audiovisuel (França), para a série “Un Regard Étranger sur la France”. Duração 58 mn (16mm; cor). Antestreia Lisboa, Cinemateca, 27 Out 1983 Estreia FR3 TV Channel, 7 Out 1984. Com Manuel Casimiro, Eduardo Lourenço e Pedro Prista.

Documentário sobre Nice, em assumido diálogo com o filme de Jean Vigo, À Propos de Nice (1929), e também com emigrantes portugueses naquela cidade do sul de França. “O que me levou a Jean Vigo? A irreverência. Para mim só há dois cineastas irreverentes: o Vigo e o Renoir. É uma coisa inata, neles. Eu também tenho uma certa dose de irreverência” (Manoel de Oliveira).

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LE SOULIER DE SATIN (O SAPATO DE CETIM)

1985

Argumento Manoel de Oliveira. Obra original Le Soulier de Satin, de Paul Claudel. Fotografia Elso Roque. Som Joaquim Pinto. Música João Paes. Montagem Jeanine Verneau e Jeanine Martin. Produção Metro e Tal, Les Films du Passage (França). Duração 415 mn (versão longa) e 360 mn (versão televisiva, em quatro episódios) (16 mm, depois ampliado para 35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, Mai 1985 (versão curta). Festival de Veneza, Set 1985 (versão integral). Estreia portuguesa Lisboa, Cinemateca, 24 Set 1985. Com Luís Miguel Cintra (D. Rodrigue, jesuíta), Patricia Barzyk (D. Prouhèze), Anne Cosigny (Marie Sept Epées), Jean-Pierre Bernard (D. Camille), Anne Gautier (D. Musique), Franck Oger (D. Pélage), Jean Badin (D. Balthazar), Manuela de Freitas (D. Isabel)…

A acção decorre em Espanha, nos séculos de Ouro XVI/XVII, tempo da dominação filipina de Portugal. É uma récita fiel ao texto de Paul Claudel, que retoma o tema dos amores frustrados. Doña Prouhèze ama profundamente Dom Rodrigo, mas o rei de Espanha envia-o além-Atlântico para ser vice-rei da América, separando-os... Manoel de Oliveira dedica o filme à memória de José Régio, e diz que ele é mais sobre Portugal do que sobre Espanha.

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MON CAS (O MEU CASO)

1986

Argumento Manoel de Oliveira. Obras originais O Meu Caso, de José Régio, Pour en Finir et Autres Foirades, de Samuel Beckett, e O Livro de Job, do Antigo Testamento. Fotografia Mário Barroso. Som Joaquim Pinto. Música João Pães. Montagem Manoel de Oliveira e Rudolfo Wedeles. Produção Filmargem, Les Films du Passage, S.E.T.E (França). Duração 87 mn (35 mm; cor e p&b). Antestreia Festival de Veneza, 30 Ago 1986 Antestreia portuguesa Lisboa, Cinemateca, 25 Set 1986 Estreia 8 Mai 1987. Com Luís Miguel Cintra (Desconhecido, Job), Bulle Ogier (Actriz, mulher de Job), Axel Bougousslavsky (empregado, Elifaz), Fred Personne (autor, Bildad), Wladimir Ivanovsk (1º espectador, Zofar), Gregoire Ostermann (2º espectador, Eliú), Heloise Mignot (2ª actriz).

Filme integralmente rodado num teatro, onde sucessivas personagens sobem ao palco e expõem o seu caso (a partir do texto de Régio), uma acção também sucessivamente repetida. Começou-se a formar na minha mente a ideia da vida como processo de repetição, de ensaio, de arte como ensaio da vida (Manoel de Oliveira).

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OS CANIBAIS

1988

Argumento Manoel de Oliveira. Obra original Os Canibais, de Álvaro do Carvalhal. Libreto João Pães. Fotografia Mário Barroso. Som Joaquim Pinto. Música João Paes e Paganini. Montagem Manoel de Oliveira e Sabine Franel. Produção Filmargem, Gemini Films, La Sept (França). Duração 90 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, Mai 1988 Antestreia portuguesa Lisboa, Mundial, 3 Nov 1988. Estreia 11 Nov 1988. Com Luís Miguel Cintra/voz de Vaz de Carvalho (Visconde de Aveleda) Diogo Dória/Carlos Guilherme (D. João), Leonor Silveira/Filomena Amaro (Margarida), Oliveira Lopes (apresentador), Rogério Samora/António Silva (Peralta), Rogério Vieira/Carlos Fonseca (Magistrado), António Loja Neves/Luís Madureira (Barão)…

Filme-ópera, cuja acção decorre no século XIX, no seio da aristocracia: a paixão da jovem Margarida pelo sinistro mas rico Conde de Aveleda, que tem como rival D. João. O que me seduzia era fazer cantar o visconde nas chamas – isto não está no livro –, essa foi a imagem que se apoderou da minha imaginação. (Manoel de Oliveira)

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NON OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR

1990

Argumento, diálogos e voz off Manoel de Oliveira. Fotografia Elso Roque. Som Gita Cerveira. Música Alejandro Masso. Montagem Manoel de Oliveira e Sabine Franel. Produção Madragoa Filmes; Tornasol Films (Espanha), Gemini Films, SGGC Films (França). Duração 111 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, 14 Mai 1990. Antestreia portuguesa 12 Out 1990. Com Luís Miguel Cintra (alferes Cabrita, Viriato, D. João de Portugal), Diogo Dória (furriel Manuel, guerreiro lusitano, priManoel de Oliveira de D. João de Portugal), Luís Lucas (cabo Brito, guerreiro lusitano, nobre de Alcácer), Miguel Guilherme (soldado Salvador, Lusitano e de Alcácer), António Sequeira Lopes (furriel, guerreiro lusitano, guerreiro de Alcácer), Ruy de Carvalho (pregador, cavaleiro tresloucado), Leonor Silveira (Tethys), Duarte de Almeida (Barão de Alvito)...

Fim da Guerra Colonial, algures em África, pouco antes do 25 de Abril de 1974: um grupo de soldados em cima de um camião debate a história e a identidade da Pátria. Em múltiplos flash-back, revisitam-se momentos marcantes da História de Portugal: as lutas de Viriato contra os romanos, a saga de D. Afonso Henriques, D. Afonso V na Batalha de Toro, os Descobrimentos, o desastre de Alcácer Quibir…É uma reflexão que pude realizar só depois da Revolução de 25 de Abril sobre a identidade e as perspectivas portuguesas no contexto histórico actual (Manoel de Oliveira). O título do filme é inspirado num verso d’Os Lusíadas.

Fotografia: Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes 1990 (Jacques Demarthon/AFP)

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A DIVINA COMÉDIA

1991

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Textos extractos da Bíblia e de obras e personagens de Dostoievski, Régio e Nietzsche

Fotografia Ivan Kozelka. Som Gita Cerveira. Montagem Manoel de Oliveira e Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes; Gemini Films, 2001 Audiovisuel (França). Duração 141 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 9 Set 1991. Antestreia portuguesa Lisboa, Cinemateca, 7 Out 1991. Estreia Lisboa, King, Nimas, 11 Out 1991. Com Maria de Medeiros (Sónia), Luís Miguel Cintra (profeta), Miguel Guilherme (Raskolnikov), Mário Viegas (filósofo), Leonor Silveira (Eva), Diogo Dória (Ivan), Paulo Matos (Jesus), Ruy Furtado e Manoel de Oliveira (director), Carlos Gomes (Adão), Júlia Buisel (Maria), Laura Soveral (Elena Ivanovna), Maria João Pires (Marta)...

Num manicómio, diversos doentes tomam-se por personagens históricos e de ficção: Adão e Eva, Jesus, Lázaro e Santa Teresa d’Ávila; ou personagens dos romances de Dostoievski (Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov) e de Nietzsche (O Anti-Cristo). Acabam a recitar A Divina Comédia, de Dante. O filme é uma reflexão histórica muito particular, sem ligação directa com a obra de Dante. O título foi escolhido sobretudo pela sua conotação irónica (Manoel de Oliveira).

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O DIA DO DESESPERO

1992

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Fotografia Mário Barroso. Som Gita Cerveira e Dominique Dalmasse. Voz off Canto e Castro e Ruy de Carvalho. Música Richard Wagner. Montagem Manoel de Oliveira e Valerie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes; Gemini Films (França). Duração 75 mn (35 mm; cor). Antestreia Expo’92 de Sevilha, 30 Mai 1992 Estreia portuguesa 30 Out 1992. Com Teresa Madruga (Ana Plácido), Mário Barroso (Camilo Castelo Branco), Luís Miguel Cintra (Freitas Fortuna), Diogo Dória (Dr. Edmundo Magalhães)...

Os últimos anos de Camilo Castelo Branco (1825-1890) vividos na casa de S. Miguel de Ceide, Famalicão, até ao suicídio. Uma abordagem baseada nas cartas do escritor e em trechos de Amor de Perdição, com referências à sua cegueira, problemas económicos e difícil relacionamento com a Ana Plácido e a loucura do filho de ambos. Respeitei de forma absoluta todos os documentos da época. Filmando de modo ‘objectivo’ uma agonia, preserva-se o mistério, a dor. (Manoel de Oliveira).

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VALE ABRAÃO

1993

Argumento, diálogos e planificação Manoel de Oliveira. Obra original Vale Abraão, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Mário Barroso. Som Henri Maikoff. Voz off Mário Barroso Música Beethoven, Debussy, Fauré, Schumann, Chopin, Byas, Hawkins. Montagem Manoel de Oliveira e Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films (França), Light Night (Suíça). Duração 187 mn/203 min* (35mm; cor).

Antestreia Festival de Cannes, 20 Mai 1993. Antestreia portuguesa Lisboa, Monumental, 14 Out 1993. Com Leonor Silveira (Ema Paiva), Luís Miguel Cintra (Carlos de Paiva), Cecile Sanz de Alba/voz Beatriz Batarda (Ema jovem), Ruy de Carvalho (Paulino Cardeano), Glória de Matos (Maria do Loreto), Luís Lima Barreto (Pedro Lumiares), João Perry (Pedro Dossem), Diogo Dória (Fernando Osório), Isabel Ruth (Ritinha)…

Uma versão moderna da Madame Bovary de Flaubert, situada no Douro dos nossos dias. Ema, a Bovarinha, é uma mulher de uma beleza ameaçadora que casa com Carlos numa relação desprovida de amor. Restam-lhe os amantes, que, no entanto, não são solução. Ema acaba por morrer, por acidente ou suicídio, num dia de sol radioso?É um filme lírico. De como uma mulher resiste aos homens, que são o poder, através da sua visão poética do mundo, mesManoel de Oliveira sendo esta ilusória (Manoel de Oliveira). * Para o filme poder ser estreado em Cannes, Manoel de Oliveira teve de reduzir a duração; mesManoel de Oliveira assim, a redução não foi a suficiente para poder entrar em competição. Em 1998, o realizador recuperou a versão original de 203 min, que foi comercializada em DVD.

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A CAIXA

1994

Argumento, planificação e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original A Caixa, de Prista Monteiro. Fotografia Mário Barroso. Som Jean-Paul Mugel. Música Katchaturian e Schubert . Montagem Manoel de Oliveira e Valerie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films, La Sept (França). Duração 93 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, 19 Mai 1994 Antestreia portuguesa Lisboa, Monumental, 16 Set 1994 Estreia 18 Nov 1994. Com Luís Miguel Cintra (cego), Isabel Ruth (vendedeira), Glicínia Quartin (velha), Ruy de Carvalho (taberneiro), Beatriz Batarda (filha), Filipe Cochofel (genro), Diogo Dória (amigo), Sofia Alves (prostituta), Miguel Guilherme (freguês), Júlia Buisel (pintora naïf), Duarte de Almeida (2º cego)...

Comédia em registo fantástico, absurdo: nas velhas ruas e escadas da Mourarira, em Lisboa, há um cego a quem costumam roubar a caixa das esmolas; à volta dele vivem (ou passam) a filha, o genro e outros moradores e trabalhadores do lugar. Manoel de Oliveira disse que o filme era um regresso às personagens de Aniki-Bóbó, agora mais velhos.

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O CONVENTO

1995

Argumento, diálogos e planificação Manoel de Oliveira. Obra paralela à ideia original do romance As Terras do Risco, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Mário Barroso. Som Jean-Paul Mugel. Música Igor Stravinski e Sofia Gubaidulina. Montagem Manoel de Oliveira e Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes; Gemini Films, La Sept (França). Duração 91 mn (35mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, Mai 25 1995. Antestreia portuguesa Lisboa, Culturgest, 17 Set 1995 Estreia 22 Set 1995. Com Catherine Deneuve (Hélène), John Malkovich (Michael Padovic), Luís Miguel Cintra (Baltar), Leonor Silveira (Piedade), Duarte de Almeida (Baltazar), Heloísa Miranda (Berta).

Quem neste convento entrar, não ouvir, não ver, não falar… – é uma inscrição no Convento da Arrábida, visitado por um investigador americano e sua mulher, à procura de indícios que permitam sustentar a tese de que Shakespeare era um judeu espanhol, sefardita, mas com origem portuguesa. O projecto de Manoel de Oliveira desenvolveu-se em simultâneo com a escrita do romance por Agustina Bessa-Luís sobre a mesma ideia, ambos inicialmente intitulados Pedra de Toque. O desentendimento de ambos relativamente ao projecto levou-os a mudar, cada um deles, o título das obras respectivas: o romance passou a chamar-se As Terras do Risco, o filme O Convento. Agustina é alguém com quem tenho tido muito confortáveis conflitos, comentou o realizador a propósito do caso.

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PARTY

1996

Argumento Manoel de Oliveira. Diálogos Agustina Bessa-Luís. Fotografia Renato Berta. Som Henri Maikoff. Montagem Manoel de Oliveira e Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes; Gemini Films (França). Duração 91 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 1 Set 1996. Antestreia portuguesa Porto, Casa das Artes, 1 Nov 1996. Estreia 29 Nov 1996. Com Michel Piccoli (Michel), Irene Papas (Irene), Leonor Silveira (Leonor), Rogério Samora (Rogério), Sofia Alves (Dame).

Leonor e Rogério decidem comemorar os dez anos de casados com uma garden party no seu solar em Ponta Delgada, na ilha açoreana de S. Miguel, convidando dois amigos especiais: uma actriz grega e um bon-vivant francês. Mas um vendaval interrompe a festa. Os quatro reencontram-se no mesManoel de Oliveira lugar, cinco anos depois. A intenção deste filme é mostrar aquilo que de bom têm as mulheres, mas também como é perverso e cheio de maldade o ‘efeito’ dos homens. (Manoel de Oliveira).

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VIAGEM AO PRINCÍPIO DO MUNDO

1997

Argumento Manoel de Oliveira. Fotografia Renato Berta. Som Jean-Paul Mugel. Produção Madragoa Filmes; Gemini Films (França). Duração 95 mn (35 mm; cor). Antestreia Porto, Charlot, 5 Mai 1997. Estreia 16 Mai 1997. Com Marcello Mastroianni (Manoel), Leonor Silveira (Judite), Diogo Dória (Duarte), Jean-Yves Gauthier (Afonso), Isabel de Castro (Maria Afonso), José Pinto (José Afonso), Isabel Ruth (Olga), Manoel de Oliveira (condutor do carro).

Um velho realizador, Manoel, está a filmar no norte de Portugal. Numa folga da rodagem, decide acompanhar o seu actor francês, Afonso, ao encontro de uma velha tia numa aldeia do Alto Minho, Castro Laboreiro, que conhece apenas das memórias do seu pai. Filme declaradamente autobiográfico: É uma viagem de recordações, de atavismos e de coisas presas a raízes, que se vão ocultando e esquecendo através de gerações. (Manoel de Oliveira)

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INQUIETUDE

1998

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira

Obras originais Os Imortais, de Prista Monteiro; Suzy, de António Patrício, Mãe de um Rio, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Renato Berta. Som Philippe Morel e Jean-François Auger. Música José Luís Borges Coelho. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films (França), Wanda Films (Espanha), Light Night (Suíça). Duração 112 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, 19 Mai 1998. Antestreia portuguesa Faro, Centro da Juventude, 18 Out 1998. Estreia 30 Out. Com José Pinto (pai), Luís Miguel Cintra (filho), Isabel Ruth (Marta), Leonor Silveira (Suzy), Rita Blanco (Gabi), Diogo Dória (El), Irene Papas (mãe), Leonor Baldaque (Fisalina), Ricardo Trepa (noivo).

Adaptação de três textos literários autónomos. Nunca fui muito amante dos filmes compostos por histórias diferentes e sem relação entre si. Tudo começou por uma secreta vontade de passar ao ecrã uma estranha peça de teatro de Prista Monteiro. Porém, feita a planificação, verifiquei, muito inquieto, que resultaria num filme demasiado curto. Então ocorreram-me dois contos do António Patrício e da Agustina que teria gostado muito de passar a filme. ‘Suzy’ ficou como motivo central (…). Ao conjunto dei o nome de ‘Inquietude’, por me parecer que em qualquer delas há, mais ou menos, qualquer cousa de inquietante. (Manoel de Oliveira)

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LA LETTRE (A CARTA)

1999

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original La Princesse de Clèves, de Madame de La Fayette. Fotografia Emmanuel Machuel. Som Jean-Paul Mugel. Música Pedro Abrunhosa. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, RTO, Gemini Filmes (França), Wanda Filmes (Espanha).

Duração 100 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Cannes, 21 Mai 1999 Estreia portuguesa Porto, Rivoli, 23 Set 1999. Com Chiara Mastroianni (Senhora de Clèves), Antoine Chapey (Jacques de Clèves), Pedro Abrunhosa (Ele mesmo), Leonor Silveira (religiosa), Françoise Fabian (Madame de Chartres), Luís Miguel Cintra (Senhor da Silva), Maria João Pires (Ela mesma)...

Adaptação ao tempo presente da trama do romance seiscentista de Madame de La Fayette, com o tour de force de meter na história o músico pop Pedro Abrunhosa como alvo da paixão platónica da Senhora de Clèves. A história desta princesa evidencia um coração, que logo se sente invulgar, e que por tão verdadeiro se faz ainda mais fascinante e enriquecedor do drama dos personagens. (Manoel de Oliveira)

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PALAVRA E UTOPIA

2000

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Consultoria histórica e literária Padre João Marques. Fotografia Renato Berta. Som Henri Maikoff

Montagem Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, RTP, Gemini Filmes (França), Plateau Produções (Brasil), Wanda Filmes (Espanha). Duração 132 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 1 Set 2000. Antestreia portuguesa Lisboa, Tivoli, 12 Nov 2000. Estreia 17 Nov 2000. Com Lima Duarte, Luís Miguel Cintra e Ricardo Trepa (Padre António Vieira em diferentes idades da sua vida), Miguel Guilherme (Padre José Soares), Leonor Silveira (Rainha Cristina da Suécia), Renato Di Carmine (Padre JeróniManoel de Oliveira Cattaneo), Diogo Dória (Inquisidor mor), Rogério Vieira (Rei D. João IV), Duarte de Almeida (Papa)…

Biografia do Padre António Vieira (1608-1697), retratada cronologicamente numa narrativa a partir dos seus sermões e textos: a juventude no Brasil, o seu lugar na corte de D. João IV, de quem foi amigo e conselheiro, o confronto com a Inquisição, a passagem pelos púlpitos de Roma e o regresso ao Brasil onde defendeu a causa dos índios e onde viveu os últimos anos e morreu. O filme não é um documentário (…). Será, sim, uma ficção, sem perder a correcção histórica. (Manoel de Oliveira)

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JE RENTRE À LA MAISON (VOU PARA CASA)

2001

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Fotografia Sabine Lancelin. Som Henri Maikof. Música Wagner, Chopin, Léo Ferre e outros. Montagem Valerie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films, France 2 Cinéma (França). Duração 90 mn (35mm; cor). Antestreia Festival de Cannes 13 Mai 2001 Antestreia portuguesa Festróia, 7 Jun 2001. Estreia 21 Set 2001. Com Michel Piccoli (Gilbert Valence), Antoine Chappey (George), Leonor Baldaque (Sylvia), Leonor Silveira (Marie), Ricardo Trepa (guarda)… e as participações especiais de Isabel Ruth (leiteira), Catherine Deneuve (Marguerite) e John Malkovich (realizador).

Gilbert Valence é um consagrado actor de teatro. Uma noite, no fim de uma representação, é-lhe comunicado que a sua mulher, a filha e o genro morreram num desastre de automóvel. Gilbert fica a partilhar a sua vida de actor com a educação do neto, de quem se torna cada vez mais próximo. E acaba mesManoel de Oliveira por abandonar o teatro, quando sente a memória a fugir-lhe num ensaio para a interpretação do papel de Ulisses. Vai para casa. ‘Vou para Casa’ é quase uma não-história, de aparência singela como o seu título, que se passa na feérica Paris, no despertar do ano 2000, cidade das luzes, reflexo e centro de toda a nossa complexa civilização ocidental. (Manoel de Oliveira)

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PORTO DA MINHA INFÂNCIA

2001

Argumento e narração Manoel de Oliveira. Fotografia Emmanuel Machuel. Som Philippe Morel. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Porto 2001, RTP, Gemini Films (França). Duração 62 mn (35 mm; cor e p&b). Antestreia Festival de Veneza, 2 Set 2001. Antestreia portuguesa Porto, Rivoli, 10 Set 2001. Estreia 15 Mar 2002. Com Manoel de Oliveira (ladrão), Ricardo Trepa e Jorge Trepa (Manoel de Oliveira criança e jovem), Rogério Samora (Chico), José Wallenstein (Joel), António Fonseca (Rufia), Nelson Freitas (Diogo), Jorge Loureiro (Adolfo Casais Monteiro)… e as participações especiais de Agustina Bessa-Luís (Ela mesma), Maria de Medeiros (Miss Diabo), Leonor Silveira (Vamp), Leonor Baldaque (Ela), Duarte de Almeida (cliente no restaurante do club) e do maestro Peter Rundel.

Documentário produzido para a Capital Europeia da Cultura. É um regresso à cidade da infância e juventude do realizador, entrecortado por memórias da família, dos amigos e da vida boémia que frequentavam. São certas recordações dum tipo de vida e de imagens de uma época passada que, embora relacionadas comigo, não constituem uma autobiografia. (Manoel de Oliveira)

Fotografia: Leonor Silveira, Manoel de Oliveira e Maria de Medeiros no Festival de Veneza, em 2001 (Claudio Onorati)

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O PRINCÍPIO DA INCERTEZA

2002

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original Jóia de Família, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Renato Berta. Som Henri Maikoff. Montagem Manoel de Oliveira e Catherine Krassovsky. Produção Madragoa Filmes, RTO, Gemini Films (França). Duração 132 min (35mm; cor).

Antestreia Festival de Cannes, 18 Mai 2002 Antestreia portuguesa Lisboa, CCB, 8 Nov 2002. Estreia 15 Nov 2002. Com Leonor Baldaque (Camila), Leonor Silveira (Vanessa), Isabel Ruth (Celsa), Ricardo Trepa (Touro Azul), Ivo Canelas (António Clara), Luís Miguel Cintra (Daniel Roper), Júlia Buisel (Tia Tofi), Duarte de Almeida (Sr. Ferreira), Padre João Marques (padre)…

António Clara, rapaz rico e de boas famílias, e José Luciano, filho da criada, são amigos de infância, e a sua amizade prolonga-se nos jogos de amor da juventude. António casa-se com Camila, por quem José (Touro Azul) nutre uma paixão antiga. Vanessa, sócia de José, é amante do primeiro. Quatro destinos cruzados que acabarão entre chamas. Primeiro filme baseado na trilogia de Agustina, O Princípio da Incerteza, cujo primeiro romance tem por título Jóia de Família.

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UM FILME FALADO

2003

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Fotografia Emmanuel Machuel. Som Philippe Morel. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films, Mikado Film, France 2 Cinéma (França). Duração 96 min (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 31 Ago 2003 Antestreia portuguesa Aveiro, Oita, 24 Set 2003 Estreia 17 Out 2003 Com Leonor Silveira (Rosa Maria), Filipa de Almeida (Maria Joana), John Malkovich (capitão), Irene Papas (Helena), Catherine Deneuve (Delphine), Stefania Sandrelli (Francesca), Luís Miguel Cintra (ele próprio)…

Uma jovem professora de História parte de Lisboa com a sua filha para um cruzeiro pelo Mediterrâneo com destino a Bombaim, Índia, onde irá encontrar-se com o marido. Pelas cidades históricas por onde passa – Ceuta, Marselha, Pompeia, Atenas, Istambul – vai contando à filha a história da civilização ocidental, e vai-se encontrando com passageiros de diferentes origens e profissões. É uma Babel de comunicação – cada uma dessas línguas é um contributo para a evolução da civilização ocidental, desde os primórdios. (Manoel de Oliveira)

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O QUINTO IMPÉRIO — ONTEM COMO HOJE

2004

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original El-Rei Sebastião, de José Régio. Fotografia Sabine Lancelin. Som Philippe Morel. Montagem Valérie Loiseleux. Música Carlos Paredes. Voz off Luís Miguel Cintra e António Reis. Produção Madragoa Filmes, Gemini Films (França). Duração 127 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 10 Set 2004 Antestreia portuguesa Lisboa, Alvaláxia, 25 Jan 2005 Com Ricardo Trepa (El-Rei Sebastião), Luís Miguel Cintra (Simão, Sapateiro Santo), Glória de Matos (Rainha D. Catarina), Miguel Guilherme e David Almeida (Truões), Ruy de Carvalho, José Manuel Mendes e Luís Lima Barreto (conselheiros)…

Regresso a José Régio e ao mito do sebastianismo. A acção centra-se na figura do rei que haveria de protagonizar o desastre de Alcácer Quibir. Esta obsessão histórica e utópica do Quinto Império parece voltar a ser realidade. Aliás, já ensaiada pela ONU, agora processa-se, com profunda convicção, pela União Europeia. Mas, entretanto, o mundo está hoje submetido a uma espécie de retorno à Idade Média sob um implacável terrorisManoel de Oliveira que vitima inocentes, e que perturba tanto os EUA como a Europa visando derrubar a civilização ocidental. (Manoel de Oliveira)

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ESPELHO MÁGICO

2005

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original A Alma dos Ricos, de Agustina Bessa-Luís. Fotografia Renato Berta. Som Henri Maikoff, Mikaël Barre, Jean-Pierre Laforce. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Filbox. Duração 137 mn (35 mm e vídeo; cor). Antestreia Festival de Veneza, 1 Set 2005 Antestreia portuguesa Porto, Rivoli (Fantasporto), 2 Mar 2006 Estreia 9 Mar 2006. Com Leonor Silveira (Alfreda), Luís Miguel Cintra (Filipe Quinta), Duarte de Almeida (Bahia), Ricardo Trepa (José Luciano/Touro Azul), Diogo Dória (comissário), Glória de Matos (enfermeira Hilda), Leonor Baldaque (Vicenta/Abril), Michel Piccoli (professor Heschel), Lima Duarte (padre Clodel), Marisa Paredes (freira)…

Retoma a trilogia O Princípio da Incerteza e alguns dos protagonistas de Jóia de Família. Alfreda tem uma obsessão: espera uma nova Anunciação da Virgem Maria, no que é ajudada pelo marido, um professor de música, que, mesManoel de Oliveira com a mulher em estado terminal, a leva a Veneza e aos lugares santos de Jerusalém… Não acho que seja uma farsa, é sobretudo uma tragédia. A virgem não tem que aparecer. Já apareceu há oitenta e tal anos. Aparece ou não aparece, mas nunca é por vontade dos homens. O excesso de vontade de que ela apareça é que é uma tragédia. (Manoel de Oliveira)

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BELLE TOUJOURS

2006

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Fotografia Sabine Lancelin. Som Henri Maikoff. Música Dvorak. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Filbox. Duração 68 mn (35 mm; cor). Antestreia Festival de Veneza, 8 Set 2006 Antestreia portuguesa Lisboa, Cinemateca, 16 Mar 2007. Estreia 5 Julho 2007. Com Michel Piccoli (Henri), Bulle Ogier (Séverine), Ricardo Trepa (empregado de café), Leonor Baldaque e Júlia Buisel (prostitutas).

O realizador retoma as personagens de Belle de Jour (1967), de Luis Buñuel, quatro décadas depois, num reecontro à mesa de um demorado jantar que acaba de forma precipitada. A ideia do filme ocorreu-me inesperadamente; é a minha homenagem a Luis Buñuel e a Jean-Claude Carrière. 38 anos depois, os mesmos protagonistas, Henri e Sévereine, continuam a repudiar-se, em corpo e alma. (Manoel de Oliveira)

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CHACUN SON CINÉMA: RENCONTRE UNIQUE

2007

Argumento Manoel de Oliveira. Fotografia Francisco Oliveira. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Jacques Arhex. Duração 3 mn (vídeo; cor). Estreia Festival de Cannes, Mai 2007. Com Michel Piccoli (Nikita Krutstchev) e João Bénard da Costa (Papa João XXIII).

O Papa João XXIII e o líder soviético Nikita Krutstchev encontram-se num corredor e falam do que têm em comum: a barriga, a fome…Curta-metragem produzida para o Festival de Cannes. Faz parte de um projecto a que se associaram de 33 realizadores de todo o mundo. A revista britânica Sight and Sound considerou a curta de Manoel de Oliveira a melhor.

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CRISTÓVÃO COLOMBO — O ENIGMA

2007

Argumento e diálogos Manoel de Oliveira. Obra original Cristóvão Colón Era Português, de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva. Fotografia Sabine Lancelin. Som Jean-Pierre Laforce e Henri Maikoff. Música José Luís Borges Coelho. Montagem Valérie Loiseleux. Produção Filmes do Tejo II, Fundação Gulbenkian, Fundação Luso-Americana, Les Filmes d’Après-Midi (França). Duração 70 mn (HDVD, cor). Antestreia Veneza, 6 Set 2007 Antestreia portuguesa Lisboa, Fundação Gulbankian, 12 Dez 2007 Estreia Cuba, Alentejo, 5 Jan 2008 (nas salas, 10 Jan). Com Ricardo Trepa (Manuel Luciano), Leonor Baldaque (Sílvia), Manoel de Oliveira e Maria Isabel Oliveira (o mesManoel de Oliveira casal na actualidade), Jorge Trepa (Hermínio da Silva), Lourença Baldaque (Anjo), Leonor Silveira (mãe), Luís Miguel Cintra (narrador e director da Casa Colombo), Norberto Barroca (velho).

Manuel Luciano é um médico que vive entre Portugal e os Estados Unidos, para onde emigrou após a II Guerra Mundial. Casa com Silvia, uma professora universitária, e faz com ela a viagem de lua-de-mel a Portugal, à procura de testemunhos que lhe permitam confirmar a sua teoria de que Cristóvão Colombo nasceu no Alentejo. O casal volta a visitar, na actualidade, os lugares da rota biográfica do descobridor da América. Não é um filme histórico, nem biográfico. É um filme sobre os Descobrimentos. (Manoel de Oliveira)

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SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA

2009

Argumento Manoel de Oliveira. Obra original Singularidades de uma Rapariga Loira, de Eça de Queirós. Som Henri Maikoff Montagem Valérie Loiseleux Produção Jacques Arhex. Duração 63 min Antestreia Festival de Berlim, Fev 2009 Antestreia portuguesa Festival Indie Lisboa, 28 Abr 2009. Com Catarina Wallenstein, Ricardo Trepa, Diogo Dória, Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra, Miguel Guilherme, Rogério Samora.

Macário ocupa o lugar de contabilista do armazém do tio Francisco, em Lisboa. É o seu primeiro emprego. Do outro lado da rua habita Luísa Vilaça, a rapariga loura por quem logo se apaixona perdidamente. Quer casar com ela. De imediato. Acabou de a conhecer, mas não pode esperar. O tio discorda, despede-o e expulsa-o de casa. Macário vai contando estas atribulações amorosas a uma senhora desconhecida, numa viajem de comboio a caminho do Algarve. Pensei muito qual seria a melhor música que se ajustaria ao filme e decidi que o melhor era não pôr música. Acho que a música soa bastante melhor num filme romântico do que num filme realista. (Manoel de Oliveira em Berlim).

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O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA

2010

Argumento original e diálogos Manoel de Oliveira. Som Henri Maikoff Montagem Valerie Loiseleux Produção Filmes do Tejo II Duração 94 min Estreia mundial Festival de Cannes, 13 Maio de 2010; Antestreia portuguesa. Festival de Cinema Luso-Brasileiro da Feira, 12 Dez. Com Pilar López de Ayala, Luís Miguel Cintra, Ana Maria Magalhães, Isabel Ruth, Leonor Silveira, Ricardo Trepa.

Uma noite, Isaac, jovem fotógrafo, hóspede da pensão de Dona Rosa na Régua, é chamado de urgência por uma família rica para tirar o último retrato da filha Angélica, uma jovem que morreu logo após o casamento. Na casa em luto, Isaac descobre Angélica e fica siderado pela sua beleza. Quando coloca o olho na objectiva da sua máquina fotográfica, a jovem parece retomar vida, apenas para ele. Isaac fica instantaneamente apaixonado por ela. É um filme sobre a morte, que é a única certeza que existe. Todos sabemos que vamos morrer. É a única certeza que temos. Não tenho medo da morte, tenho medo do sofrimento. (Manoel de Oliveira em Cannes).

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PAINÉIS DE SÃO VICENTE DE FORA — VISÃO POÉTICA

2010

Argumento e texto Manoel de Oliveira. Fotografia Francisco Lagrifa Oliveira Som Henri Maikoff Montagem Valérie Loiseleux Produção Fundação de Serralves /RTP, Estreia mundial Festival de Cinema de Veneza, Set 2010.

Uma reflexão pessoal do realizador sobre uma das obras-primas da pintura portuguesa do século XVI, o políptico cuja autoria é atribuída a Nuno Gonçalves e que integra o acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

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O GEBO E A SOMBRA

2012

Argumento Manoel de Oliveira Obra original O Gebo e a Sombra, de Raúl Brandão Fotografia Renato Berta Som Henri Maikoff Montagem Valérie Loiseleux Produção O Som e a Fúria/Mact Productions. Estreia mundial agendada para o Festival de Veneza. Com Claudia Cardinale, Michael Lonsdale, Jeanne Moreau, Ricardo Trepa, Leonor Silveira, Luís Miguel Cintra.

Um cobrador e contabilista honrado cumpre o seu dever mas esconde da sua esposa que o filho, João (a Sombra), é ladrão. Por causa disso, Gebo é alvo de chacota por parte de quem o conhece e acaba por assumir o crime do filho, passando três anos na cadeia. Aí pensa na sua vida de injustiças e questiona tudo. É esta a sinopse do filme, que é uma adaptação do livro O Gebo e a Sombra, de Raúl Brandão.

Fotografia: Manoel de Oliveira e Claudia Cardinale durante as filmagens (Jorge Trêpa)

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O Conquistador Conquistado

2012

Argumento Manoel de Oliveira Duração 10 min Com Ricardo Trepa.

O Conquistador Conquistado é o título da contribuição de Manoel de Oliveira para o filme Centro Histórico, produzido no âmbito da Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, e que reúne ainda curtas de Aki Kaurismaki, Pedro Costa e Victor Erice. Na sua curta-metragem, protagonizada por Ricardo Trepa, o cineasta lança um olhar divertido à avalanche de turistas no centro histórico vimaranense.

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O VELHO DO RESTELO

2014

Argumento Manoel de Oliveira

Argumento Manoel de Oliveira Fotografia Renato Berta Som Henri Maikoff Montagem Valérie Loiseleux Produção O Som e a Fúria, Epicentre Films Estreia Mundial 71º Festival de Cinema de Veneza, Setembro de 2014 Estreia 11 de Dezembro 2014 (Cinema Ideal, Lisboa) Duração 19 minutos Com Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Mário Barroso, Ricardo Trepa

Um mergulho livre e sem esperança na História tal qual como a conhecemos, como um sedimento fértil, na memória de Manoel de Oliveira. Oliveira reúne num banco do século XXI Dom Quixote, o poeta Luís Vaz de Camões e os escritores Teixeira de Pascoaes e Camilo Castelo Branco. Juntos, levados pelos movimentos telúricos do pensamento, eles deambulam entre o passado e o presente, derrotas e glórias, vacuidade e alienação, em busca da inacessível estrela.

Fotografia: Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, Mário Barroso e Ricardo Trêpa durante as filmagens (Lara Jacinto/NFACTOS)

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Chafariz das Virtudes

2014

Argumento Manoel de Oliveira