Trump ameaça com “aniquilação total” depois de Teerão ter dito que novas sanções são “idiotas”

A aplicação de sanções económicas contra o ayatollah Kamenei e contra o chefe da diplomacia iraniana foram consideradas “idiotas” por Rohani.

Foto
Reuters/CARLO ALLEGRI

Em reacção às críticas iranianas às novas sanções norte-americanas, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Teerão com “aniquilação total” se “algo norte-americano” for atacado”. 

“Qualquer ataque iraniano em algo norte-americano terá como resposta uma grande e esmagadora força. Em algumas áreas, esmagadora quer dizer aniquilação total”, escreveu o chefe de Estado norte-americano no Twitter. 

Pouco antes, o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, tinha afirmado que as sanções aplicadas pelos EUA ao ayatollah Ali Khamenei são “idiotas” e fecham as portas à diplomacia.

Rohani acrescentou que a Casa Branca está “afectada pelo atraso mental” e classificou as sanções impostas na véspera ao Líder Supremo como “idiotas e revoltantes”.

Na segunda-feira, Trump autorizou a aplicação de sanções económicas que incluem, pela primeira vez, o ayatollah Khamenei, a autoridade máxima religiosa do Irão. É improvável que as medidas tenham algum efeito prático, uma vez que Khamenei não possui bens nos Estados Unidos nem deverá viajar para o país.

Trump justificou as sanções como uma resposta pelo abate do drone do Exército americano que sobrevoava o Estreito de Ormuz, considerado por Washington como um “acto agressivo” da parte de Teerão. Em curso esteve um ataque militar norte-americano sobre alvos iranianos, que foi cancelado no último momento por Trump.

As sanções dos EUA também abrangem o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, que foi o principal negociador do regime do acordo nuclear assinado em 2015, mas que foi rejeitado há um ano pela Administração Trump.

A medida foi descrita como “desesperada” pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Abbas Mousavi, que alertou para “o encerramento permanente do caminho da diplomacia”.

Esta terça-feira, o responsável pela Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, garantiu que Washington se mantém aberto à via diplomática e que “tudo o que Irão precisa de fazer é entrar por essa porta aberta”.

O embaixador iraniano na ONU, Majid Takht-Ravanchi, afastou a hipótese de se estabelecer um diálogo com “alguém que está a sempre a ameaçar com sanções”. O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, disse que a situação entre o Irão e os EUA corre o risco de se tornar “perigosa”.

A tensão entre Washington e Teerão atingiu níveis máximos nas últimas semanas, depois dos ataques a navios petroleiros no Golfo de Omã, que os EUA atribuíram ao Irão – o regime nega qualquer responsabilidade, embora uma investigação internacional tenha apontado para a actuação de um Estado.

Como resposta, os EUA têm reforçado a sua posição militar na região e visam aumentar a pressão económica sobre o Irão.

Sugerir correcção
Ler 43 comentários