Desta vez, Pogacar manteve-se calmo na Volta a Itália

Num dia desenhado para um final ao sprint, Filippo Ganna ainda tentou surpreender, mas houve mesmo duelo entre os velocistas. Triunfou Jonathan Milan, que já garantiu um triunfo italiano em Itália.

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Milan celebra na Volta a Itália Jennifer Lorenzini / REUTERS
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Ao quarto dia de Volta a Itália, Tadej Pogacar decidiu remeter-se ao repouso, não tentando qualquer movimentação para vencer a etapa do dia. Sem o esloveno a baralhar as contas, houve uma etapa que cumpriu o que se esperava, com um final em sprint ganho por Jonathan Milan, que já garantiu aos italianos uma vitória na corrida.

O ciclista de 23 anos da Trek bateu Kaden Groves (Alpecin) e Phil Bauhaus (Bahrain), erguendo os braços num final em Andora, na Ligúria, com a costa Noroeste de Itália como plano de fundo. Foi o quarto triunfo de Milan em 2024, tendo já superado os três de 2023.

A etapa desta terça-feira prometia ser globalmente aborrecida e o que se passou na estrada cumpriu a expectativa a 100%. Pouco se passou de interessante e tudo aconteceu como previsto: houve uma fuga, como seria suposto, e houve final ao sprint, como também todos saberiam que aconteceria.

O que de mais emocionante aconteceu – e pela negativa – foi uma queda no pelotão que fez ciclistas como Ben O’Connor, Fernando Gaviria, Matteo Trentin e Biniam Girmay sentirem a dureza do asfalto. O ciclista eritreu acabou por abandonar a corrida, deixando o Giro sem um dos potenciais animadores de etapas. Girmay, sempre ofensivo, adapta-se bem a terrenos planos, a etapas estilo “clássica”, a dias com pequenas elevações e até em tentativas de fuga. Sem ele, é menos um a poder quebrar a monotonia.

De resto há para contar uma fuga de quatro elementos, um deles chamado Filippo Ganna. Para os aventureiros, a presença do italiano era agridoce. Por um lado, tinham alguém voluntarioso no trabalho e que ajudaria a que o ritmo da frente fosse sempre elevado. Por outro, Ganna nunca seria dado “de borla” pelo pelotão, por ser um ciclista perigoso para liberdade total. O italiano acabou por abandonar a fuga alguns quilómetros depois, percebendo que não era um lote que permitisse sucesso.

Os restantes fugitivos eram Stefan de Bod, Lilian Calmejane e Francisco Muñoz e chegaram a ter quase seis minutos de vantagem para o pelotão, diferença que nem os próprios acreditariam poder manter.

Hoje era dia de sprint e o pelotão tratou de garantir que assim seria. Estava desenhado um final algo perigoso, com muitas rotundas, curvas e uma pequena elevação em Capo Mele, antes da descida para a meta totalmente plana. Em comparação com a etapa anterior, era um final mais fácil por ser mais plano, mas mais difícil por ser mais tortuoso.

Na subida do Capo Mele, já sem fuga, Ganna voltou ao serviço. O contra-relogista atacou sozinho e começou a descida com uma vantagem de cerca de dez segundos, diferença insuficiente para impedir o final em sprint. Jonathan Milan acabou por ser o mais forte num sprint longo e beneficiou de ter escolhido bem a posição no início da recta da meta, obrigando os principais adversários a perderem potência e energia a tentarem encontrar um espaço livre. Houve ainda um encosto de ombro no qual o "gigante" Milan, muito forte, conseguiu sair por cima.

Na classificação geral nada muda e Tadej Pogacar segue com a camisola rosa no corpo pelo menos mais um dia e, quem sabe, em todos os outros dias.

Para esta quarta-feira está desenhada uma etapa com alguma montanha, mas pouco dura. Poderá ser um bom dia para uma fuga vingar, mas também poderá acabar em sprint.

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