China está a construir o “maior centro de comando militar do mundo” nos arredores de Pequim

Imagens de satélite obtidas pelo Financial Times e declarações de actuais e antigos responsáveis militares e dos serviços secretos dos EUA apontam para complexo “dez vezes maior” do que o Pentágono.

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Xi Jinping, Presidente chinês, numa cerimónia militar em Pequim (2023) REUTERS/Florence Lo
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A China está a construir um enorme complexo militar nos arredores de Pequim que, segundo os serviços secretos e as autoridades militares dos Estados Unidos, pode vir a ser “dez vezes maior” do que o Departamento de Defesa norte-americano. Descrito em Washington como a “Cidade Militar de Pequim”, será “o maior centro de comando militar do mundo”, escreve o Financial Times.

O jornal económico britânico obteve imagens de satélite que mostram um local de construção localizado a cerca de 30 quilómetros a oeste da capital chinesa, que se estende por mais de 600 hectares, e que, de acordo com actuais e antigos responsáveis militares e especialistas em segurança dos EUA, inclui enormes buracos escavados no solo, destinados a refúgios subterrâneos para a protecção das chefias militares do país num potencial cenário de conflito.

“Este novo bunker de comando avançado debaixo do solo para a liderança militar – incluindo para o Presidente Xi [Jinping], enquanto presidente da Comissão Central Militar –, a confirmar-se, sublinha a intenção de Pequim de construir não só uma força convencional de classe mundial, mas também capacidades avançadas de combate nuclear”, diz Dennis Wilder, antigo responsável pelo departamento de análise das actividades da República Popular da China da CIA.

Uma vez operacional, o centro militar substituirá a actual sede do Exército de Libertação do Povo (ELP), no centro de Pequim, construído durante a Guerra Fria.

O Financial Times assinala o contraste entre a actividade intensa de construção que estava a ser levada a cabo naquele local no início do mês e o relativo sossego nos habituais projectos imobiliários de grande envergadura nas imediações da capital, que sofreram um enorme revés com a crise mais recente no sector.

O acesso ao local e a algumas zonas turísticas próximas foi proibido, assim como a utilização de câmaras fotográficas e de drones. Para além disso, salienta o jornal, ao contrário do que acontece com os projectos de natureza comercial e habitacional, não existe qualquer referência online sobre o que está a ser construído naqueles 600 hectares.

Afirmando que as informações recolhidas sobre o local de construção do complexo militar mostram que este “tem todas as características de uma instalação militar sensível”, um investigador sobre a China com conhecimento sobre o conteúdo e a análise das imagens de satélite vistas pelo FT diz que o centro de comando será “adequado para as ambições de Xi Jinping de ultrapassar os EUA”.

“Quase dez vezes maior que o Pentágono (…), esta fortaleza serve apenas um objectivo: funcionar como um bunker do dia do juízo final para umas Forças Armadas chinesas cada vez mais sofisticadas e capazes”, diz o analista.

Contactada pelo jornal britânico, a embaixada da República Popular da China em Washington D.C. diz que “não está a par dos detalhes” sobre o que está a ser construído naquela zona dos arredores de Pequim, mas garante que o Governo chinês está “comprometido com o caminho do desenvolvimento pacífico e com uma política de defesa que é defensiva por natureza”.

O investimento do Governo chinês nas suas Forças Armadas e no desenvolvimento das suas capacidades militares é, há muito, uma prioridade estratégica de Xi Jinping, que tem lançado uma série de novos projectos nesse âmbito para assinalar o centenário da fundação do ELP, que se celebra em 2027.

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